terça-feira, novembro 11, 2008

MenteQueVives - O caminho da voz

Era de noite e a voz caminhava, ora negra ora sedutora. Levava do canto daquela sala, o sentimento de cada rosto. Uma taça de tinto juntava a pele á alma. O avental parava sem o silêncio e rebuscava nas palavras o nome de alguém. Talvez de um cliente. O destino de quem conhecia a voz ficava à distância de um fado. A sala estava cheia. Tão cheia, que o som atropelava vidas que os olhares não conseguiam guardar. E dali a voz caminhava, sobre o relevo de um mapa. Solto e á espera do mar.
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3 comentários:

Maria Ramos disse...

Li as duas primeiras frases e pensei logo em fado :)
Afinal devo ter alma lusitana, porque não consigo deixar de ficar com a alma arrepiada com a mística do poema que tão bem descreve o fado: a voz, o negro, a sedução, o vinho tinto, as vidas atropeladas e o mar!
Tu pegas na Barrita e eu pego no Filipe e vamos ao Bairro Alto, pá!
Tem que ser! ;)

© Piedade Araújo Sol disse...

leio aqui e no blogue das artes.

tens uma escrita muito peculiar.

eu gosto!

beij

Luigi disse...

Amigo, as tuas palavras descrevem de uma forma tão perfeita uma noite de fados no Bairro Alto, palavras cheias de sentimento...que só uma alma Iluminada consegue transpor para o papel!
Aquele Abraço,
Luigi