Em falta:
cereais com sabor a mar, para o teu acordar de destino livre e grandioso
doce de frutas enamoradas, para ajudar a manter o sorriso que nos une
pão de forma sem forma, vamos continuar a deixar todos os contornos de lado
sumo 100% magicados, para acompanhar as nossas conversas de balão
gel de banho com o cheiro de amanhã, assim prolongamos o aroma que deixamos à despedida
vinho de castas virgens, porque cada brinde nosso é único
manta de tecido vistoso, para não se perder nos teus ombros
incenso consumido, nós saberemos como ateá-lo.
quinta-feira, outubro 27, 2011
quinta-feira, setembro 29, 2011
MenteQueSentes - Silêncio
Descobri que o silêncio às vezes é bandeira, às vezes é vento e às vezes é o lugar onde ficou por colocar o mastro.
E descobri também, que só o devo partilhar, com quem conhece as cores dos meus ideais, da minha nação.
E descobri também, que só o devo partilhar, com quem conhece as cores dos meus ideais, da minha nação.
domingo, agosto 21, 2011
quarta-feira, julho 20, 2011
MenteQueSentes - Fado no centro comercial
Houve fado no centro comercial.
E aquele som
que solta a definição
dos olhares
não podia estar noutro sítio melhor
para nos ajudar a distinguir
quem sente os momentos
de quem os contabiliza.
E aquele som
que solta a definição
dos olhares
não podia estar noutro sítio melhor
para nos ajudar a distinguir
quem sente os momentos
de quem os contabiliza.
sexta-feira, julho 08, 2011
MenteQueSentes - Ida e volta
Eu parto à vontade
sei que a língua que falo
se fala por aí
que o tempo que levo
me vai trazer de volta
e na procura que encontrei
tudo começa em mim.
sei que a língua que falo
se fala por aí
que o tempo que levo
me vai trazer de volta
e na procura que encontrei
tudo começa em mim.
sábado, maio 14, 2011
MenteQueSentes - Piscina, Lda
Há uma piscina onde nadamos
mas não mandamos
onde o vil da água
é quase transparente.
Salpicam dores quando saímos
e resistem vozes quando teimamos
tocar no fundo
sem a promessa de voltarmos.
terça-feira, abril 05, 2011
MenteQueVives - Música no Aeroporto
O homem largou os dedos nas cordas da guitarra e juntos assumiram o destino das viagens. E os dedos gravaram tudo. A sangue frio cortaram os pensamentos de todos. A música irradiou pelas janelas absortas, pelo chão submisso, pelo ar extasiado, pelas portas. Pelas portas que não abriam, pelas portas que se fechavam, pelas portas que não existam mas faziam as pessoas recuar.
Foi admirável ver o incómodo de quem não pediu música. Foi admirável ver o ódio de quem naquele momento não queria sonhar. De quem nunca está preparado e traz aquelas roupas que só vestem em público.
Ri-me tanto. Tanto que tive de parar de dançar. Sentei-me no chão e deixei-te só a ti a rodopiar e a desafiar os hábitos.
Quando os dedos do homem pararam, a guitarra olhou para ti. Foram os ciúmes mais cruéis que alguma vez tive.
domingo, fevereiro 13, 2011
MenteQueSentes - No Guns can kill
Shoot
with your fingers
Cry
(only)
through your heart
Pray
like you have no religion
Die
as if you had a gun
quarta-feira, novembro 10, 2010
MenteQueVives - O miúdo do comboio
A marcha do comboio não enganava. Seguia em frente. Avançava.
Levava gente dentro. Alguém parecendo não estar satisfeito, caminhava. Seguia em frente. Avançava. E fazia-o para lá e para cá. Como se o limite de cada ponta do comboio fosse o inicio de mais uma caminhada.
Nas horas que durou a viagem não o vi cruzar olhares com ninguém. Fitava qualquer coisa dentro ou fora dele. E caminhava. Seguia em frente. Avançava.
Confesso que de ínicio me aborreceu. A mim e percebi que a todos os que se mantinham sentados. A seguir em frente. A avançar.
Desisti do desconforto assim que percebi a imunidade dele. Ele podia fazer aquilo. Talvez até devesse mesmo fazê-lo. Era miúdo e podia. Era miúdo e devia.
Devia seguir em frente. Devia avançar. Mesmo dentro do comboio e este a fazê-lo também.
Mesmo quando tinha de inverter a marcha parecendo voltar para trás, o comboio seguia em frente. Avançava. E ele também. Iludido, seguia em frente. Avançava.
sexta-feira, novembro 05, 2010
MenteQueVives - Cinema vagabundo
Quis ir ao cinema. Mesmo que para isso lhe bastasse descer um degrau, quis fazer o que os outros fazem. Os outros que não precisam descer o degrau. Os que descem na horizontal falsa do elevador.
Então antes de se mexer para o cinema, encostou bem o cabelo ao crânio, tirou um cachecol do saco de plástico e deixou no mármore a cama pronta até ao regresso.
Desceu o degrau.
Sentou-se novamente e esperou o ínicio do filme. E o filme iniciou-se tantas vezes que lhes perdeu a conta. Havia prémios a serem atribuidos aos actores e actrizes logo após as primeiras cenas. Ninguém mudava o guarda roupa. Ninguém tinha decorado os textos.
E ele pensou que chegava de sonhar com a vida real. Voltou a subir o degrau e realizou o seu filme. E para isso muito contribuiram, as letras das folhas de jornal que o cobriam.
quarta-feira, outubro 27, 2010
MenteQueVives - Na pose do dia
O dia dava sinais de dormência.
Fazia aquela pose, que julgo muitas vezes, fazer parar o tempo para que possa ser admirado.
O Sol destacava-se do cenário e fazia com que o rio empurrasse a luz dela contra ele.
A água fluía. E os olhares deles também. Pássaros voavam. E os pensamentos deles também.
Haviam passos a fazer-se ouvir. E os gestos deles escutavam.
À parte dos copos vazios, naquela mesa tudo transbordava alguma coisa.
E tudo havia por dentro. E tudo se criava por fora.
Fazia aquela pose, que julgo muitas vezes, fazer parar o tempo para que possa ser admirado.
O Sol destacava-se do cenário e fazia com que o rio empurrasse a luz dela contra ele.
A água fluía. E os olhares deles também. Pássaros voavam. E os pensamentos deles também.
Haviam passos a fazer-se ouvir. E os gestos deles escutavam.
À parte dos copos vazios, naquela mesa tudo transbordava alguma coisa.
E tudo havia por dentro. E tudo se criava por fora.
terça-feira, outubro 05, 2010
MenteQueSentes - Quando volto
Volto
quando falo contigo
e nao te vejo
quando reajo tarde
ao que me dizes
quando perco tudo
para pensar em cores
quando solto alguém
que não sobrevive
ao tom de voz
em falta
quando só tentas aparecer.
quando falo contigo
e nao te vejo
quando reajo tarde
ao que me dizes
quando perco tudo
para pensar em cores
quando solto alguém
que não sobrevive
ao tom de voz
em falta
quando só tentas aparecer.
sexta-feira, setembro 24, 2010
MenteQueSentes - Respiro
E o Sol apareceu
todas as pessoas ficaram bonitas
o café trouxe o toque da tua pele
e tenho a certeza
que uma parte de ti me pertence
porque respiro.
todas as pessoas ficaram bonitas
o café trouxe o toque da tua pele
e tenho a certeza
que uma parte de ti me pertence
porque respiro.
quarta-feira, setembro 22, 2010
MenteQueSentes - Cinzento
Nunca gostei do cinzento!
Ainda que seja a cor onde agora te encontro
onde viajamos num pincel
que mistura o encontro e a saudade
e no regresso
nos deixa sempre nessa tonalidade por afirmar.
Nunca gostei do cinzento!
E porque agora
desespero por aprender a gostar
preciso que me ajudes a relembrar
como se põe uma mão
fora do comboio negro
e se toca na brancura das nuvens.
Ainda que seja a cor onde agora te encontro
onde viajamos num pincel
que mistura o encontro e a saudade
e no regresso
nos deixa sempre nessa tonalidade por afirmar.
Nunca gostei do cinzento!
E porque agora
desespero por aprender a gostar
preciso que me ajudes a relembrar
como se põe uma mão
fora do comboio negro
e se toca na brancura das nuvens.
segunda-feira, agosto 09, 2010
MenteQueVives - A casa da rua
Saíram de casa e assumiram estar na rua.
Ignoraram ter morada. E mais do que isso esqueceram o caminho para casa.
Pularam nas primeiras poças, com o entusiasmo de quem não sabe para que servem as coisas, que nos fazem sentir bem. Escolheram frutas de árvores há muito esquecidas, que por isso conservavam o gozo natural de pecar. Lembraram jogos, dos tempos em que as apostas eram trocadas no intervalo da tabuada.
Quiseram viver para sempre. E fizeram-no. Ali na rua.
Debaixo dos astros e da roupa lavada.
Por cima dos passos e das sombras escondidas.
sexta-feira, julho 30, 2010
MenteQueSentes - Abraçar o mar
Seguia a estrada como um cavalo nocturno.
A galope nas perguntas. A trote nos impulsos.
Abrandou com o brilho da lua no mar, e dançou.
Pisou a areia, e amou.
Tocou o mar, e abraçou-o.
Conversou com a lua.
Durou uma hora
das que no final o fazem chorar.
Ela sorriu.
Acalmou-o.
-Sossega. Amanhã virá o Sol e com o ele a minha presença. O meu calor.
A galope nas perguntas. A trote nos impulsos.
Abrandou com o brilho da lua no mar, e dançou.
Pisou a areia, e amou.
Tocou o mar, e abraçou-o.
Conversou com a lua.
Durou uma hora
das que no final o fazem chorar.
Ela sorriu.
Acalmou-o.
-Sossega. Amanhã virá o Sol e com o ele a minha presença. O meu calor.
MenteQueSentes - Força que nunca seca
Há um pássaro feliz que canta.
Há uma flor, linda, que não desmaia.
E procuro mais.
Nesta aguarela sem tema
há mais pedaços de história
para comprovar
a força
do beijo que se evita
e que nunca seca.
Há uma flor, linda, que não desmaia.
E procuro mais.
Nesta aguarela sem tema
há mais pedaços de história
para comprovar
a força
do beijo que se evita
e que nunca seca.
quinta-feira, julho 29, 2010
MenteQueVives - Viagem de helicóptero ao mundo da fada e do poeta
Não eram só dois corpos na multidão. Eram também, tudo aquilo que se pode beber quando um olhar nos aquece ou uma palavra nos despe. E eram tudo isso a dobrar. Porque esticavam os umbigos, para dentro da circunferência que inventaram. Naquele momento que os vi, andavam livres. A correr e a rir. Pareceu-me até vê-los dançar ao ritmo de uma lua cheia.
Quando me viram, sorriram e mostraram-me os limites daquele mundo de fada e poeta. A fada distraiu-se com a voz de um miúdo e o poeta piscou-me o olho. Levantou parte da circunferência explicando-me que ambos estavam a preparar uma fuga. Sem dia nem hora marcada. Mas que não queriam deixar de planear.
Quando me viram, sorriram e mostraram-me os limites daquele mundo de fada e poeta. A fada distraiu-se com a voz de um miúdo e o poeta piscou-me o olho. Levantou parte da circunferência explicando-me que ambos estavam a preparar uma fuga. Sem dia nem hora marcada. Mas que não queriam deixar de planear.
terça-feira, julho 27, 2010
MenteQueSentes - Resposta ao conforto das tuas asas
Confesso
esta noite não vi a lua!
Tentei!
Tentei e tentei!
Mas o teu sorriso era maior.
Inquieto
partilhei o meu.
Amanhã saberemos o que conversaram
nem que tenhamos de pular de nuvem em nuvem
a nossa palavra
tem de estar no Universo.
esta noite não vi a lua!
Tentei!
Tentei e tentei!
Mas o teu sorriso era maior.
Inquieto
partilhei o meu.
Amanhã saberemos o que conversaram
nem que tenhamos de pular de nuvem em nuvem
a nossa palavra
tem de estar no Universo.
terça-feira, maio 18, 2010
MenteQueSentes - Regresso a casa
O formato das nuvens era tantas vezes diferente
que preferia olhá-las, em vez de voltar a pisar o mesmo chão.
que preferia olhá-las, em vez de voltar a pisar o mesmo chão.
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