A arte de ser avô
está escondida no riso dos netos
no abraço pequenino que nunca acaba
nos olhos que contrariam a idade
e voltam a ter espaço
para guardar coisas
quinta-feira, julho 26, 2012
segunda-feira, julho 02, 2012
MenteQueSentes - Planeta inventado
Mamã, Papá
hoje na minha escola inventámos um planeta
nele riscámos o céu e ficou lindo
sujámos as mãos e elas procuraram outras
criámos castelos para visitar quando formos adultos
e soltámos gargalhadas que trago no bolso.
Ah e decidimos que as horas eram só a fingir
tal como aquilo que vocês usam como desculpa
para não inventarem mais planetas.
quarta-feira, junho 13, 2012
MenteQueSentes - A chamada
Não senti a chamada.
O mundo preencheu-me
as horas encavalitaram-se
os sons fundiram-se.
Agora, agradeço à magia
o lápis de cera por estrear
limpo como o inicio
presente como um liço
alinhado como o chão.
O mundo preencheu-me
as horas encavalitaram-se
os sons fundiram-se.
Agora, agradeço à magia
o lápis de cera por estrear
limpo como o inicio
presente como um liço
alinhado como o chão.
sexta-feira, maio 11, 2012
MenteQueSentes - Morreu o outro lado da mão
Não foste tu que morreste
foram as teclas do piano
foi o outro lado da tua mão
foram os recados do teu corpo
foi o banco, o silêncio, o aroma
todas essas coisas
que se guardam para amanhã.
Não foste tu que morreste
estás aí a tocar
e eu estou aqui a viajar
pela ponta dos teus dedos.
(a Bernardo Sassetti 1970 - 2012)
foram as teclas do piano
foi o outro lado da tua mão
foram os recados do teu corpo
foi o banco, o silêncio, o aroma
todas essas coisas
que se guardam para amanhã.
Não foste tu que morreste
estás aí a tocar
e eu estou aqui a viajar
pela ponta dos teus dedos.
(a Bernardo Sassetti 1970 - 2012)
sexta-feira, maio 04, 2012
MenteQueSentes - Mapa da chuva
Enquanto há chuva
porque não começarmos uma viagem
enquanto ela se debruça sobre o mapa?
porque não começarmos uma viagem
enquanto ela se debruça sobre o mapa?
quarta-feira, abril 25, 2012
MenteQueSentes - O porquê
O "porquê"
sai, espeta-se e dobra o medo.
Mas não tem de magoar.
Rompe com o passado
e na vertigem que recebemos
voltamos a atirar os dados.
Só isso.
sai, espeta-se e dobra o medo.
Mas não tem de magoar.
Rompe com o passado
e na vertigem que recebemos
voltamos a atirar os dados.
Só isso.
terça-feira, abril 17, 2012
MenteQueProcuras - O segredo da viagem
Qual o segredo para passar duas vezes no mesmo sítio, com o céu diferente?
sábado, março 31, 2012
MenteQueSentes - Dez passos
Um, dois, três passos
na direcção de uma outra morada
na sequência das pedras
por cima de outros caminhos.
Quatro, cinco, seis passos
a confirmar os três primeiros
a precipitar um novo rasto
e não há verbo que me faça parar.
Sete, oito, nove passos
se houvessem dúvidas, estaria descalço
sem fraquezas não há escusas
e foi assim que sai de casa.
Dez passos
cheguei e renasci.
na direcção de uma outra morada
na sequência das pedras
por cima de outros caminhos.
Quatro, cinco, seis passos
a confirmar os três primeiros
a precipitar um novo rasto
e não há verbo que me faça parar.
Sete, oito, nove passos
se houvessem dúvidas, estaria descalço
sem fraquezas não há escusas
e foi assim que sai de casa.
Dez passos
cheguei e renasci.
quinta-feira, janeiro 05, 2012
MenteQueVives - O sorriso que se passa
A mais velha baixou-se para ver melhor o caderno aberto pela mais nova. Não percebi se o sorriso da mais velha era de ternura pela resposta fácil que teria. Ou se era para dar confiança a uma dúvida, multiplicada pelas borbulhas no rosto da mais nova.
Não cheguei a perceber, porque entretanto terminei de contornar a rotunda. Mais uma a caminho de qualquer coisa.
Mas foi fácil imaginar as borbulhas a desaparecerem, quando junto dos colegas o caderno foi novamente aberto. E entre a explicação de tudo, apareceu para sempre, o sorriso da mais velha na boca da mais nova.
segunda-feira, dezembro 26, 2011
MenteQueSentes - Pinheiro
Entra, desvia-te do pinheiro mas não o ignores.
Senta-te.
Se não perceberes a letra das músicas, ouve pelos menos os sinos.
Imagina uma noite branca, onde a família passeia por ela,
chegando mesmo a parecerem violentas as marcas dos seus passos.
Mas não o são, de todo.
São gestos de cheios de certezas.
Amanhã cada um leva para casa um embrulho
que se vai partilhando durante todo o ano.
À medida que se aproxima o próximo Natal
ainda é no frio que se fala e por telefone.
O calor vem depois e fica espalhado pelo pinheiro.
Esse mesmo que quase pisavas.
Senta-te.
Se não perceberes a letra das músicas, ouve pelos menos os sinos.
Imagina uma noite branca, onde a família passeia por ela,
chegando mesmo a parecerem violentas as marcas dos seus passos.
Mas não o são, de todo.
São gestos de cheios de certezas.
Amanhã cada um leva para casa um embrulho
que se vai partilhando durante todo o ano.
À medida que se aproxima o próximo Natal
ainda é no frio que se fala e por telefone.
O calor vem depois e fica espalhado pelo pinheiro.
Esse mesmo que quase pisavas.
quarta-feira, dezembro 21, 2011
MenteQueSentes - A cor que vejo
O vermelho que trazes
explode em mim
e na contestação que gera
os meus sentidos acabam rendidos
e tornam o meu sangue daltónico.
Para o bem
prefiro trocar tudo e viver o sonho.
explode em mim
e na contestação que gera
os meus sentidos acabam rendidos
e tornam o meu sangue daltónico.
Para o bem
prefiro trocar tudo e viver o sonho.
domingo, novembro 13, 2011
MenteQueSentes - Vidas por comprar
Nas lojas onde entro
há sempre alguém que me faz falta.
Não que queira levá-las comigo
mas ganhei o hábito de pensar
nas vidas que não vou comprar.
há sempre alguém que me faz falta.
Não que queira levá-las comigo
mas ganhei o hábito de pensar
nas vidas que não vou comprar.
sexta-feira, novembro 04, 2011
MenteQueSentes - Borboletas
As borboletas no estômago
são os teus sorrisos de criança
a lembrar o resto do corpo
que há amor, que há esperança
e se uma delas te fugir
não a chames, não a censures
foi o impulso de quem te quer sentir
quem a ensinou a sonhar
mas só a sonhar
só a sonhar
ainda que tudo seja verdadeiro.
são os teus sorrisos de criança
a lembrar o resto do corpo
que há amor, que há esperança
e se uma delas te fugir
não a chames, não a censures
foi o impulso de quem te quer sentir
quem a ensinou a sonhar
mas só a sonhar
só a sonhar
ainda que tudo seja verdadeiro.
quinta-feira, novembro 03, 2011
MenteQueSentes - Aquelas coisas
Há coisas que me ensinaste
que vão ficar só para mim.
Sei que vão mastigar-me,
engolir-me, engordar-me.
Mas vão ser aquelas coisas
que garantem
um lugar para chegar.
que vão ficar só para mim.
Sei que vão mastigar-me,
engolir-me, engordar-me.
Mas vão ser aquelas coisas
que garantem
um lugar para chegar.
quinta-feira, outubro 27, 2011
MenteQueSentes - Lista de Supermercado
Em falta:
cereais com sabor a mar, para o teu acordar de destino livre e grandioso
doce de frutas enamoradas, para ajudar a manter o sorriso que nos une
pão de forma sem forma, vamos continuar a deixar todos os contornos de lado
sumo 100% magicados, para acompanhar as nossas conversas de balão
gel de banho com o cheiro de amanhã, assim prolongamos o aroma que deixamos à despedida
vinho de castas virgens, porque cada brinde nosso é único
manta de tecido vistoso, para não se perder nos teus ombros
incenso consumido, nós saberemos como ateá-lo.
cereais com sabor a mar, para o teu acordar de destino livre e grandioso
doce de frutas enamoradas, para ajudar a manter o sorriso que nos une
pão de forma sem forma, vamos continuar a deixar todos os contornos de lado
sumo 100% magicados, para acompanhar as nossas conversas de balão
gel de banho com o cheiro de amanhã, assim prolongamos o aroma que deixamos à despedida
vinho de castas virgens, porque cada brinde nosso é único
manta de tecido vistoso, para não se perder nos teus ombros
incenso consumido, nós saberemos como ateá-lo.
quinta-feira, setembro 29, 2011
MenteQueSentes - Silêncio
Descobri que o silêncio às vezes é bandeira, às vezes é vento e às vezes é o lugar onde ficou por colocar o mastro.
E descobri também, que só o devo partilhar, com quem conhece as cores dos meus ideais, da minha nação.
E descobri também, que só o devo partilhar, com quem conhece as cores dos meus ideais, da minha nação.
domingo, agosto 21, 2011
quarta-feira, julho 20, 2011
MenteQueSentes - Fado no centro comercial
Houve fado no centro comercial.
E aquele som
que solta a definição
dos olhares
não podia estar noutro sítio melhor
para nos ajudar a distinguir
quem sente os momentos
de quem os contabiliza.
E aquele som
que solta a definição
dos olhares
não podia estar noutro sítio melhor
para nos ajudar a distinguir
quem sente os momentos
de quem os contabiliza.
sexta-feira, julho 08, 2011
MenteQueSentes - Ida e volta
Eu parto à vontade
sei que a língua que falo
se fala por aí
que o tempo que levo
me vai trazer de volta
e na procura que encontrei
tudo começa em mim.
sei que a língua que falo
se fala por aí
que o tempo que levo
me vai trazer de volta
e na procura que encontrei
tudo começa em mim.
Subscrever:
Comentários (Atom)