Em cima dos degraus não havia pés
nem da porta caía areia.
Ainda assim,
as pessoas não paravam de entrar
ao ritmo de quem agora tem tempo
para trazer coisas de volta.
quarta-feira, setembro 26, 2012
domingo, agosto 05, 2012
MenteQueVives - Acento no orgulho
Pediu-me ajuda para se sentar junto a mim no degrau. Com a minha mão apertei-lhe o antebraço e ele confiou no amparo. O seu corpo não escondeu a dificuldade de movimentos, e levou-me a pensar como iria levantar-se se eu já ali não estivesse. Ele percebeu e adiantou a resposta com o acento igual ao orgulho que tinha desenhado no rosto. Disse-me, que preferia ter apenas o conforto de alguém durante a queda, do que herdar o mérito de se erguer. E reforçou, que se assim não fosse seria o princípio para cair sozinho.
Vim-me embora mais cedo porque quis garantir que seria mesmo assim e que iria trazer comigo aquele pedaço de vida, intacto, genuíno. Talvez um dia viesse a precisar dele.
Vim-me embora mais cedo porque quis garantir que seria mesmo assim e que iria trazer comigo aquele pedaço de vida, intacto, genuíno. Talvez um dia viesse a precisar dele.
quinta-feira, julho 26, 2012
MenteQueSentes - Arte de ser avô
A arte de ser avô
está escondida no riso dos netos
no abraço pequenino que nunca acaba
nos olhos que contrariam a idade
e voltam a ter espaço
para guardar coisas
está escondida no riso dos netos
no abraço pequenino que nunca acaba
nos olhos que contrariam a idade
e voltam a ter espaço
para guardar coisas
segunda-feira, julho 02, 2012
MenteQueSentes - Planeta inventado
Mamã, Papá
hoje na minha escola inventámos um planeta
nele riscámos o céu e ficou lindo
sujámos as mãos e elas procuraram outras
criámos castelos para visitar quando formos adultos
e soltámos gargalhadas que trago no bolso.
Ah e decidimos que as horas eram só a fingir
tal como aquilo que vocês usam como desculpa
para não inventarem mais planetas.
quarta-feira, junho 13, 2012
MenteQueSentes - A chamada
Não senti a chamada.
O mundo preencheu-me
as horas encavalitaram-se
os sons fundiram-se.
Agora, agradeço à magia
o lápis de cera por estrear
limpo como o inicio
presente como um liço
alinhado como o chão.
O mundo preencheu-me
as horas encavalitaram-se
os sons fundiram-se.
Agora, agradeço à magia
o lápis de cera por estrear
limpo como o inicio
presente como um liço
alinhado como o chão.
sexta-feira, maio 11, 2012
MenteQueSentes - Morreu o outro lado da mão
Não foste tu que morreste
foram as teclas do piano
foi o outro lado da tua mão
foram os recados do teu corpo
foi o banco, o silêncio, o aroma
todas essas coisas
que se guardam para amanhã.
Não foste tu que morreste
estás aí a tocar
e eu estou aqui a viajar
pela ponta dos teus dedos.
(a Bernardo Sassetti 1970 - 2012)
foram as teclas do piano
foi o outro lado da tua mão
foram os recados do teu corpo
foi o banco, o silêncio, o aroma
todas essas coisas
que se guardam para amanhã.
Não foste tu que morreste
estás aí a tocar
e eu estou aqui a viajar
pela ponta dos teus dedos.
(a Bernardo Sassetti 1970 - 2012)
sexta-feira, maio 04, 2012
MenteQueSentes - Mapa da chuva
Enquanto há chuva
porque não começarmos uma viagem
enquanto ela se debruça sobre o mapa?
porque não começarmos uma viagem
enquanto ela se debruça sobre o mapa?
quarta-feira, abril 25, 2012
MenteQueSentes - O porquê
O "porquê"
sai, espeta-se e dobra o medo.
Mas não tem de magoar.
Rompe com o passado
e na vertigem que recebemos
voltamos a atirar os dados.
Só isso.
sai, espeta-se e dobra o medo.
Mas não tem de magoar.
Rompe com o passado
e na vertigem que recebemos
voltamos a atirar os dados.
Só isso.
terça-feira, abril 17, 2012
MenteQueProcuras - O segredo da viagem
Qual o segredo para passar duas vezes no mesmo sítio, com o céu diferente?
sábado, março 31, 2012
MenteQueSentes - Dez passos
Um, dois, três passos
na direcção de uma outra morada
na sequência das pedras
por cima de outros caminhos.
Quatro, cinco, seis passos
a confirmar os três primeiros
a precipitar um novo rasto
e não há verbo que me faça parar.
Sete, oito, nove passos
se houvessem dúvidas, estaria descalço
sem fraquezas não há escusas
e foi assim que sai de casa.
Dez passos
cheguei e renasci.
na direcção de uma outra morada
na sequência das pedras
por cima de outros caminhos.
Quatro, cinco, seis passos
a confirmar os três primeiros
a precipitar um novo rasto
e não há verbo que me faça parar.
Sete, oito, nove passos
se houvessem dúvidas, estaria descalço
sem fraquezas não há escusas
e foi assim que sai de casa.
Dez passos
cheguei e renasci.
quinta-feira, janeiro 05, 2012
MenteQueVives - O sorriso que se passa
A mais velha baixou-se para ver melhor o caderno aberto pela mais nova. Não percebi se o sorriso da mais velha era de ternura pela resposta fácil que teria. Ou se era para dar confiança a uma dúvida, multiplicada pelas borbulhas no rosto da mais nova.
Não cheguei a perceber, porque entretanto terminei de contornar a rotunda. Mais uma a caminho de qualquer coisa.
Mas foi fácil imaginar as borbulhas a desaparecerem, quando junto dos colegas o caderno foi novamente aberto. E entre a explicação de tudo, apareceu para sempre, o sorriso da mais velha na boca da mais nova.
segunda-feira, dezembro 26, 2011
MenteQueSentes - Pinheiro
Entra, desvia-te do pinheiro mas não o ignores.
Senta-te.
Se não perceberes a letra das músicas, ouve pelos menos os sinos.
Imagina uma noite branca, onde a família passeia por ela,
chegando mesmo a parecerem violentas as marcas dos seus passos.
Mas não o são, de todo.
São gestos de cheios de certezas.
Amanhã cada um leva para casa um embrulho
que se vai partilhando durante todo o ano.
À medida que se aproxima o próximo Natal
ainda é no frio que se fala e por telefone.
O calor vem depois e fica espalhado pelo pinheiro.
Esse mesmo que quase pisavas.
Senta-te.
Se não perceberes a letra das músicas, ouve pelos menos os sinos.
Imagina uma noite branca, onde a família passeia por ela,
chegando mesmo a parecerem violentas as marcas dos seus passos.
Mas não o são, de todo.
São gestos de cheios de certezas.
Amanhã cada um leva para casa um embrulho
que se vai partilhando durante todo o ano.
À medida que se aproxima o próximo Natal
ainda é no frio que se fala e por telefone.
O calor vem depois e fica espalhado pelo pinheiro.
Esse mesmo que quase pisavas.
quarta-feira, dezembro 21, 2011
MenteQueSentes - A cor que vejo
O vermelho que trazes
explode em mim
e na contestação que gera
os meus sentidos acabam rendidos
e tornam o meu sangue daltónico.
Para o bem
prefiro trocar tudo e viver o sonho.
explode em mim
e na contestação que gera
os meus sentidos acabam rendidos
e tornam o meu sangue daltónico.
Para o bem
prefiro trocar tudo e viver o sonho.
domingo, novembro 13, 2011
MenteQueSentes - Vidas por comprar
Nas lojas onde entro
há sempre alguém que me faz falta.
Não que queira levá-las comigo
mas ganhei o hábito de pensar
nas vidas que não vou comprar.
há sempre alguém que me faz falta.
Não que queira levá-las comigo
mas ganhei o hábito de pensar
nas vidas que não vou comprar.
sexta-feira, novembro 04, 2011
MenteQueSentes - Borboletas
As borboletas no estômago
são os teus sorrisos de criança
a lembrar o resto do corpo
que há amor, que há esperança
e se uma delas te fugir
não a chames, não a censures
foi o impulso de quem te quer sentir
quem a ensinou a sonhar
mas só a sonhar
só a sonhar
ainda que tudo seja verdadeiro.
são os teus sorrisos de criança
a lembrar o resto do corpo
que há amor, que há esperança
e se uma delas te fugir
não a chames, não a censures
foi o impulso de quem te quer sentir
quem a ensinou a sonhar
mas só a sonhar
só a sonhar
ainda que tudo seja verdadeiro.
quinta-feira, novembro 03, 2011
MenteQueSentes - Aquelas coisas
Há coisas que me ensinaste
que vão ficar só para mim.
Sei que vão mastigar-me,
engolir-me, engordar-me.
Mas vão ser aquelas coisas
que garantem
um lugar para chegar.
que vão ficar só para mim.
Sei que vão mastigar-me,
engolir-me, engordar-me.
Mas vão ser aquelas coisas
que garantem
um lugar para chegar.
quinta-feira, outubro 27, 2011
MenteQueSentes - Lista de Supermercado
Em falta:
cereais com sabor a mar, para o teu acordar de destino livre e grandioso
doce de frutas enamoradas, para ajudar a manter o sorriso que nos une
pão de forma sem forma, vamos continuar a deixar todos os contornos de lado
sumo 100% magicados, para acompanhar as nossas conversas de balão
gel de banho com o cheiro de amanhã, assim prolongamos o aroma que deixamos à despedida
vinho de castas virgens, porque cada brinde nosso é único
manta de tecido vistoso, para não se perder nos teus ombros
incenso consumido, nós saberemos como ateá-lo.
cereais com sabor a mar, para o teu acordar de destino livre e grandioso
doce de frutas enamoradas, para ajudar a manter o sorriso que nos une
pão de forma sem forma, vamos continuar a deixar todos os contornos de lado
sumo 100% magicados, para acompanhar as nossas conversas de balão
gel de banho com o cheiro de amanhã, assim prolongamos o aroma que deixamos à despedida
vinho de castas virgens, porque cada brinde nosso é único
manta de tecido vistoso, para não se perder nos teus ombros
incenso consumido, nós saberemos como ateá-lo.
quinta-feira, setembro 29, 2011
MenteQueSentes - Silêncio
Descobri que o silêncio às vezes é bandeira, às vezes é vento e às vezes é o lugar onde ficou por colocar o mastro.
E descobri também, que só o devo partilhar, com quem conhece as cores dos meus ideais, da minha nação.
E descobri também, que só o devo partilhar, com quem conhece as cores dos meus ideais, da minha nação.
domingo, agosto 21, 2011
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