domingo, agosto 17, 2008
MenteQueVives - O carrinho que escolhemos
terça-feira, agosto 05, 2008
MenteQueVives - Desejo tatuado
Para não ser reconhecida como adulta bastava-lhe tocar o céu, sempre que uma voz a chamava de uma velha janela destorcida.
Esperava que uma estrela cadente sorrisse ao som dessa voz, para poder tatuar o desejo na manhã seguinte.
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terça-feira, julho 08, 2008
MenteQueSentes - Primeiro brilho
Recebeu o brilho que lhe faltava
e não quer voltar a subir.
Não quer perder o céu que encontrou
numa história em que o Sol
anda de mão em mão.
segunda-feira, junho 30, 2008
MenteQueVives - Casa torta
terça-feira, junho 24, 2008
MenteQueSentes - ...o livro que eu não li
não tem nome
mas tem cheiro
e na página seguinte
tem sempre um rosto
que no fim
recolhe a história
e olha para mim.
segunda-feira, junho 16, 2008
MenteQueSentes - O nosso jogo
mas com vocês
que a bola não sorri
quando a chuto
entre um molho de pernas
que no final
não me vão ajudar
a levantar a taça
que ganhávamos
antes de cada jogo.
domingo, junho 15, 2008
sábado, maio 17, 2008
MenteQueSentes - Idade dos muros
domingo, maio 11, 2008
MenteQueVives - Vício interior
E pela maneira com que olhava as pessoas dava a entender que queria sair tarde. Conversou, riu-se e sentou-se perto de alguém, e de outro alguém e de outro alguém e de outros. Durante as palavras triunfantes, tocava no ouvinte. Como uma pedra no charco, questionava se a bebida era do agrado do falante.
Tudo se tornou para mim claro, quando nos cruzámos na casa de banho. Vi-o ignorar o espelho e olhar o seu rosto. Olhava fixamente os seus próprios olhos. Que droga tomaria para ser tão viciado no que interessa aos outros, sem que os outros percebessem o interesse que tinha, naquilo que só interessava a ele?
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sexta-feira, abril 25, 2008
MenteQueVives - Lembrança que não fica na parede
Ela escusava de se mexer para encontrar o ritmo da dança que todos guardavam, mas ninguém ouvia. Em cada fim da mesa, haviam vidas que valiam a pena contar antes de serem engolidas, tal como a mousse de chocolate, enfeitada para o momento.
Houve movimentos normais de uma refeição, mas houve outros que me levaram a uma varanda perto do mar, longe de mim.
Ela sorriu para o empregado que atordoado já não servia, limitava-se a ser parte do sorriso. No momento em que a primeira cadeira começou a arrefecer sem retorno, outras seguiram o processo. Ela não saiu e hoje a lembrança também escorre nos meus dias.
Miguel Alves
sexta-feira, abril 18, 2008
sexta-feira, abril 04, 2008
MenteQueSentes - Flôr da confiança
porque sabe que de tarde
vai brilhar com o Sol
sem perder
a protecção da Montanha.
Miguel Alves
sábado, março 08, 2008
MenteQueSentes - A fé dos homens
e alimenta a sua esperança
com aquilo que não projectou.
Outro constrói um barco
e navega nas àguas
que não encontra perto de casa.
Miguel Alves
quinta-feira, março 06, 2008
MenteQueSentes - Aniversário de um anjo
Miguel Alves
terça-feira, março 04, 2008
MenteQueVives - Terreno sem emprego
sábado, fevereiro 16, 2008
MenteQueVives - À solta
Num outro momento tudo será lembrado, ainda que a repetição só seja possivel no sangue que cada um gravou.
Miguel Alves
quinta-feira, fevereiro 07, 2008
MenteQueSentes - Nuvem
Quanto mais alto voava, mais queria ser a almofada do teu acordar.
Rita & Miguel
terça-feira, janeiro 22, 2008
MenteQueSentes - Crescente
Enquanto te vestes por dois
Manda cartas para três
Fá-las passar por quatro
Surpreende cinco vezes
Imagina seis reacções
Conta sete ondas
Fotografa oito marés
Olha para o relógio às nove
Abraça-te como se não existissem as dez.
Miguel Alves
sexta-feira, janeiro 11, 2008
MenteQueSentes - Partilha
a certeza com que trabalho as palavras
e preparo a tua reacção
e o branco
que dividimos ao meio
uma metade para as tuas serpentinas
a outra para os meus espelhos.
Miguel Alves
sexta-feira, janeiro 04, 2008
MenteQueVives - Jardim caído
O jardim estava caído dentro da cidade. Nunca tinha saído daquele sítio, nunca tinha muito menos subido para espreitar o topo dos prédios, nunca tinha sido um qualquer gesto. Mas estava agora caído, e tudo nele estava caído também. As flores que em invernos como este não eram flores mas pelo menos sussurravam ao vento a vontade de o serem, os caminhos que tinham vários fins e que agora restavam-lhes o mesmo ínicio, os candeeiros que diminuiam a electricidade com o glamour das suas formas e que agora tinham nela o único motivo para lá estarem, o portão que tantas vezes viu prevenida a ferrugem já não sabia passar sem esta, sem a cumplicidade de quem chega sem anunciar, deixando-nos depois a vontade de não pensar num anúncio de despedida.
Hoje vi assim o meu jardim. Caído. Amanhã talvez esteja levantado, ou até hoje mesmo, mas por outros olhos.
Miguel Alves
