O teu olhar deixa em mim a certeza
de que há brilho
capaz de transformar
os dias em viagens
e as noites em fortunas.
quarta-feira, fevereiro 24, 2010
domingo, fevereiro 14, 2010
MenteQueSentes - Namorada
Nunca procurei no dicionário o significado da palavra namorada. Quando precisei de saber já tu estavas a meu lado. A tua essência é a única definição que sei. E duvido que haja outra melhor.
sexta-feira, janeiro 29, 2010
MenteQueVives - Medalha dourada
Caminhava sem saber que também procurava algo com os pontapés que dava no ar. Pequenos pontapés.
Talvez pelo som, talvez pelo brilho, talvez por um arrepio, notou naquele momento, que havia uma medalha dourada a querer entrar na sua vida. Guardou a medalha e um sorriso, não sabendo ainda que um dia não iam caber os dois dentro dela.
Passou o tempo. O suficiente para perceber que havia um leão marcado na medalha, que já estava marcado na sua pele. O relevo daquele momento, vivido anos antes, era já muito grande e não podia esperar mais. Não podia guardar mais aquele sorriso, ansioso por de uma vez por todas dar-lhe a mão e mostrar-lhe que era o signo da vida que aqueles pequenos pontapés tinham encontrado.
(Para a Bela e Hugo)
sábado, janeiro 23, 2010
MenteQueSentes - Gostar por defeito
Fosse como fosse
chegaria entre as suas pratas e pétalas
chegaria livre de um fim
poderia ser cúmplice e ser único
e mesmo assim
chegaria antes da hora
marcada pelos pulsos dos relógios.
Fosse como fosse
chegaria entre as suas pratas e pétalas
chegaria livre de um fim
poderia ser atacado de gaiolas ou janelas
e mesmo assim
não se esqueceria
que antes de chegar
por defeito iria gostar.
chegaria entre as suas pratas e pétalas
chegaria livre de um fim
poderia ser cúmplice e ser único
e mesmo assim
chegaria antes da hora
marcada pelos pulsos dos relógios.
Fosse como fosse
chegaria entre as suas pratas e pétalas
chegaria livre de um fim
poderia ser atacado de gaiolas ou janelas
e mesmo assim
não se esqueceria
que antes de chegar
por defeito iria gostar.
segunda-feira, janeiro 11, 2010
MenteQueSentes - Frutos
Preferia
que os teus lábios prendessem
como beijam as tuas mãos
assim haveriam frutos
que percorriam
o vazio do meu corpo
só para os molhar
em vez de os apanhares
já secos do chão.
que os teus lábios prendessem
como beijam as tuas mãos
assim haveriam frutos
que percorriam
o vazio do meu corpo
só para os molhar
em vez de os apanhares
já secos do chão.
quarta-feira, dezembro 30, 2009
MenteQueSentes - Universo sem explicação
Não sei o que me dizer
quando sei que sou só
eu e o meu universo.
Não sei o que dizer
a quem sabe que o habita
tal como um satélite
mas que não partilha
com outros dois
a triangulção
dos meus caminhos.
Não sei.
Não sei.
quando sei que sou só
eu e o meu universo.
Não sei o que dizer
a quem sabe que o habita
tal como um satélite
mas que não partilha
com outros dois
a triangulção
dos meus caminhos.
Não sei.
Não sei.
quinta-feira, dezembro 10, 2009
MenteQueSentes - O nosso mundo também é redondo
Deu para perceber que era habitual ir aquele café.
Percebia-se isso pela maneira que não olhava as coisas.
Sentada no assento redondo da cadeira,
braços apoiados no tampo redondo da mesa,
lábios ansiando tocar a face redonda da chávena.
Redondo era também o sorriso.
Redondo era também o olhar.
Redondo era também o cheiro.
E redondo era o seu passado
que rebolava com ela sempre que abria aquela porta.
terça-feira, dezembro 01, 2009
MenteQueVives - Atrás dos faróis
A mochila e o saco a tiracolo pareciam pesar mais dos que os pensamentos. Cada passo dado, um pouco mais de conforto. Dia de semana, a escola toda metida na mochila e no saco, e o quarto à espera de o ver tirar a roupa e vestir os brinquedos. Que estariam em pausa desde o último mundo que criou.
Parou para atravessar a estrada, inundada de faróis de carros e frio. Um carro parou, outro parou ao lado e ele atravessou. Fê-lo como se já estivesse a contar para os trabalhos de casa.
Quando o deixei de ver lembrei-me do meu caminho para casa depois da escola. Só não me lembro do que levava na mochila e no saco, mas em muitas dessas viagens lembro-me de querer estar parado, atrás dos faróis.
quarta-feira, novembro 18, 2009
MenteQueVives - Porta de embarque
Deviam ser poucas as pessoas que não saiam dos lugares, temporariamente seus.
As janelas em vidro a percorrer metade das paredes da sala, tiravam fotografias aos estímulos de quem já queria estar lá fora, fazendo parte de um movimento perdido da Terra.
De jornais a revistas, de latas de sumo a telemóveis, tudo cabia na espera, ainda que não fazendo parte dessa mesma espera.
Até que uma voz, com um eco estrangeiro, pegava nas pernas de cada um dos presentes e fazia com que os agora estímulos de outras viagens, invertessem a espera e dessem espaço ao destino, antes de chegarem.
terça-feira, novembro 03, 2009
MenteQueVives - Rua com saída
Abriu a janela como se não visse a rua, à espera.
Alinhou o olhar com o horizonte. O mesmo que a perseguia desde a adolescência, umas vezes espremido pelo bafo do céu, outras mimado pelo brilho do mar. Era por ele que abria a janela.
Eu cá em baixo, continuava a ver uma rua impaciente. Ora parada, ora a saltar. Ora esforçada, ora vidrada.
E ela coninuava serena, a levar para casa uma janela e para a rua, uma saída.
Alinhou o olhar com o horizonte. O mesmo que a perseguia desde a adolescência, umas vezes espremido pelo bafo do céu, outras mimado pelo brilho do mar. Era por ele que abria a janela.
Eu cá em baixo, continuava a ver uma rua impaciente. Ora parada, ora a saltar. Ora esforçada, ora vidrada.
E ela coninuava serena, a levar para casa uma janela e para a rua, uma saída.
quinta-feira, outubro 15, 2009
MenteQueVives - Viagem solitária (a dois)
No dia que regressasse a casa, iria perceber o título do filme que passara pela televisão
momentos antes de romper a monotonia, com uma viagem ao centro do umbigo dela.
momentos antes de romper a monotonia, com uma viagem ao centro do umbigo dela.
sexta-feira, outubro 09, 2009
MenteQueSentes - Estado leve
É por ti que canto
o que não canto.
E enquanto o faço
é de ti
que saiem as coisas
que no príncipio
não são tudo
nem são nada.
Que pousadas em mim
nesse estado leve
partem para o mundo
levando-me atrás
em bicos dos pés.
o que não canto.
E enquanto o faço
é de ti
que saiem as coisas
que no príncipio
não são tudo
nem são nada.
Que pousadas em mim
nesse estado leve
partem para o mundo
levando-me atrás
em bicos dos pés.
quarta-feira, setembro 30, 2009
MenteQueVives - O homem que ninguém vê
Descubra as diferenças:
- Homem de meia idade. Cabelo ondulado grisalho. Óculos rectangulares com as lentes baças. Camisa ás riscas verticais, com a barriga a expulsá-la das calças e as costas a fazer o inverso. Sapatos limpos, mas o direito com o atilho solto. Simpático mas por não por mostrar um sorriso. Solteiro.
- Compra calças de ganga nos hipermercados. Sem dar nas vistas, foge de vendedores de cartões de crédito. Quando compra o jornal começa a lê-lo já depois de o ter deixado bem amachucado. Nas lojas não escolhe nada, porque bastou-lhe fazê-lo uma vez. Antes de sair de casa faz uma festa ao gato e depois de bater a porta, ajeita o tapete com o pé direito.
- Homem de meia idade. Cabelo ondulado grisalho. Óculos rectangulares com as lentes baças. Camisa ás riscas verticais, com a barriga a expulsá-la das calças e as costas a fazer o inverso. Sapatos limpos, mas o direito com o atilho solto. Simpático mas por não por mostrar um sorriso. Solteiro.
- Compra calças de ganga nos hipermercados. Sem dar nas vistas, foge de vendedores de cartões de crédito. Quando compra o jornal começa a lê-lo já depois de o ter deixado bem amachucado. Nas lojas não escolhe nada, porque bastou-lhe fazê-lo uma vez. Antes de sair de casa faz uma festa ao gato e depois de bater a porta, ajeita o tapete com o pé direito.
quarta-feira, setembro 16, 2009
MenteQueSentes - Luta
Juro que tenho tentado.
Tentado escrever palavras que me soltem
palavras que me levem até outro momento, que não seja só meu.
Tento e algo resiste.
Algo que por não ser menos belo decidi colocar aqui
em forma de quase nada.
Uma vez li que quando falta de inspiração também se deve escrever.
Por isso descrevo-a pela primeira vez assim.
Quem ainda não a leu neste texto
não espere lê-la, porque tal como a inspiração
tantas vezes dissimulada numa só palavra
a falta dela já se encontra marcada, algures atrás.
Tentado escrever palavras que me soltem
palavras que me levem até outro momento, que não seja só meu.
Tento e algo resiste.
Algo que por não ser menos belo decidi colocar aqui
em forma de quase nada.
Uma vez li que quando falta de inspiração também se deve escrever.
Por isso descrevo-a pela primeira vez assim.
Quem ainda não a leu neste texto
não espere lê-la, porque tal como a inspiração
tantas vezes dissimulada numa só palavra
a falta dela já se encontra marcada, algures atrás.
domingo, agosto 02, 2009
MenteQueSentes - Terraço dos sonhos
Se te contasse o meu sonho
talvez percebesses
porque tanto atiro a pedra mais longe do que tu
como a deixo cair, tal como a tua, bem perto da margem.
Talvez percebesses
porque tanto te levanto e deixo tocares o tecto da sala
como te mostro o quão longe ele fica de ti.
Talvez percebesses agora
mas não quero.
Prefiro contar-te tudo
quando a minha pedra permanecer seca
e o tecto da sala
for o terraço dos teus sonhos.
talvez percebesses
porque tanto atiro a pedra mais longe do que tu
como a deixo cair, tal como a tua, bem perto da margem.
Talvez percebesses
porque tanto te levanto e deixo tocares o tecto da sala
como te mostro o quão longe ele fica de ti.
Talvez percebesses agora
mas não quero.
Prefiro contar-te tudo
quando a minha pedra permanecer seca
e o tecto da sala
for o terraço dos teus sonhos.
segunda-feira, junho 15, 2009
domingo, maio 17, 2009
MenteQueSentes - O início no fim da rua
Caminhava tentando pisar todas as pedras da calçada. Quando se cruza comigo uma voz: “O fim da crise só acontece com uma grande guerra ou uma ditadura!”. Apesar do chapéu de chuva ainda lhe vi o rosto, desafinado. E não percebi porque disse aquilo. A chuva caía igual para os dois, as pedras da calçada eram as mesmas, ambos segurávamos um chapéu de chuva, ainda que de Invernos diferentes. Seria pelos diferentes inícios da rua?
quinta-feira, março 19, 2009
MenteQueSente - Laços
"Sweet dreams are made of this..."
Uma roupa à nascença
um colo que se preocupa
e que se senta
no chão
outrora um colo
outrora vestido à nascença.
Uma roupa à nascença
um colo que se preocupa
e que se senta
no chão
outrora um colo
outrora vestido à nascença.
segunda-feira, fevereiro 23, 2009
MenteQueSentes - B.I. Bio
Tenho um bocado de terra
que não sai da minha mão.
Ficou nas rugas
e por mais água que passe
não sai.
Por mais dor que sinta
ao rasparem
ela não sai.
Não sai
e enquanto for assim
não me preocupo
com quem sou.
que não sai da minha mão.
Ficou nas rugas
e por mais água que passe
não sai.
Por mais dor que sinta
ao rasparem
ela não sai.
Não sai
e enquanto for assim
não me preocupo
com quem sou.
sábado, fevereiro 14, 2009
MenteQueVives - Ritual do trapézio
Acreditava que para soltar o trapézio, lá em baixo, no meio da multidão, um rosto tinha de a fazer lembrar o primeiro dia que balançou. Tinha de rever o seu sorriso. Rasgado. Iluminado por uns olhos bem abertos e por preencher.
Em noite de espectáculo era sempre assim. A certeza dos aplausos entrava como um pé direito, pelo olhar de alguém ainda com esperança.
Era este imaginário que a deixava soltar um trapézio e agarrar o outro, como se fosse tudo um só gesto.
também aqui
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