sexta-feira, abril 25, 2008
MenteQueVives - Lembrança que não fica na parede
Ela escusava de se mexer para encontrar o ritmo da dança que todos guardavam, mas ninguém ouvia. Em cada fim da mesa, haviam vidas que valiam a pena contar antes de serem engolidas, tal como a mousse de chocolate, enfeitada para o momento.
Houve movimentos normais de uma refeição, mas houve outros que me levaram a uma varanda perto do mar, longe de mim.
Ela sorriu para o empregado que atordoado já não servia, limitava-se a ser parte do sorriso. No momento em que a primeira cadeira começou a arrefecer sem retorno, outras seguiram o processo. Ela não saiu e hoje a lembrança também escorre nos meus dias.
Miguel Alves
sexta-feira, abril 18, 2008
sexta-feira, abril 04, 2008
MenteQueSentes - Flôr da confiança
porque sabe que de tarde
vai brilhar com o Sol
sem perder
a protecção da Montanha.
Miguel Alves
sábado, março 08, 2008
MenteQueSentes - A fé dos homens
e alimenta a sua esperança
com aquilo que não projectou.
Outro constrói um barco
e navega nas àguas
que não encontra perto de casa.
Miguel Alves
quinta-feira, março 06, 2008
MenteQueSentes - Aniversário de um anjo
Miguel Alves
terça-feira, março 04, 2008
MenteQueVives - Terreno sem emprego
sábado, fevereiro 16, 2008
MenteQueVives - À solta
Num outro momento tudo será lembrado, ainda que a repetição só seja possivel no sangue que cada um gravou.
Miguel Alves
quinta-feira, fevereiro 07, 2008
MenteQueSentes - Nuvem
Quanto mais alto voava, mais queria ser a almofada do teu acordar.
Rita & Miguel
terça-feira, janeiro 22, 2008
MenteQueSentes - Crescente
Enquanto te vestes por dois
Manda cartas para três
Fá-las passar por quatro
Surpreende cinco vezes
Imagina seis reacções
Conta sete ondas
Fotografa oito marés
Olha para o relógio às nove
Abraça-te como se não existissem as dez.
Miguel Alves
sexta-feira, janeiro 11, 2008
MenteQueSentes - Partilha
a certeza com que trabalho as palavras
e preparo a tua reacção
e o branco
que dividimos ao meio
uma metade para as tuas serpentinas
a outra para os meus espelhos.
Miguel Alves
sexta-feira, janeiro 04, 2008
MenteQueVives - Jardim caído
O jardim estava caído dentro da cidade. Nunca tinha saído daquele sítio, nunca tinha muito menos subido para espreitar o topo dos prédios, nunca tinha sido um qualquer gesto. Mas estava agora caído, e tudo nele estava caído também. As flores que em invernos como este não eram flores mas pelo menos sussurravam ao vento a vontade de o serem, os caminhos que tinham vários fins e que agora restavam-lhes o mesmo ínicio, os candeeiros que diminuiam a electricidade com o glamour das suas formas e que agora tinham nela o único motivo para lá estarem, o portão que tantas vezes viu prevenida a ferrugem já não sabia passar sem esta, sem a cumplicidade de quem chega sem anunciar, deixando-nos depois a vontade de não pensar num anúncio de despedida.
Hoje vi assim o meu jardim. Caído. Amanhã talvez esteja levantado, ou até hoje mesmo, mas por outros olhos.
Miguel Alves
quinta-feira, dezembro 20, 2007
MenteQueVives - Língua de fora
Miguel Alves
domingo, dezembro 16, 2007
MenteQueVives - Silhueta
Não reconheci as noites em branco que me abraçavam de dia, os dedos subornados que me aqueciam sempre no mesmo lugar de Inverno ou até mesmo os meus dias inteiros a sublinhar o seu destino.
Nas páginas e páginas que saltitavam naquela secretária havia um homem sentado, corcovado, calvo, cuja silhueta de tanto gritar por mim, acabou no meu peito aconchegada pela origem do meu fôlego.
Miguel Alves
quarta-feira, dezembro 05, 2007
MenteQueVives - A casa dele
No dia que deixei de o conhecer pela boca larga de um jornalista, emagreci o desconhecimento que julgava ter dele e junto à portada, ainda junto à portada, sorrimos. Talvez pela diferença de idades comum mas diferente, talvez pela guitarra portuguesa a lembrar anos verdes, talvez pela cumplicidade da sombra de uma oliveira, naquele momento tanto dele como minha. Com o cheiro a café misturado no açucar da sua conversa, num alpendre interior à sua alma, exterior à casa, conheci uma multidão.
segunda-feira, dezembro 03, 2007
terça-feira, novembro 27, 2007
MenteQueSentes - Parábolas
que quem não vê não ignora
tantas são as formas
que o mundo tem.
Miguel Alves
segunda-feira, novembro 26, 2007
MenteQueSentes - Procuro livro
Miguel Alves
Palavras também aqui
terça-feira, novembro 20, 2007
MenteQueVives - Partilha da liberdade
O cabelo fechava cada passo como a batida lógica de um coração. Sonhou não ser livre naquele momento. Olhou o chão pintado pelos seus próprios pés e imaginou ter as mãos ocupadas com as outras mãos que um dia encontrou dentro de si.
A luz do dia era cada vez menor mas o espaço ocupado pelo mapa era ainda mais rápido a desaparecer.
Mal perdeu a liberdade deu um tiro no pé e tratou de agravar a pena com alguns excessos que trazia no bolso. Não foi o suficiente nem para compensar o tempo que esteve livre nem para merecer a prisão daqueles braços. Mas na verdade, no momento em que naquele mesmo dia gastou o mapa, já a liberdade estava a ser oferecida a quem ainda achava estar apenas a partilhá-la.
Miguel Alves
sexta-feira, novembro 02, 2007
MenteQueVives - Canto do mundo
Para garantir a união havia corpos que bailavam como searas debaixo do luar, corpos que mantinham o peso morto da consciência longe daquele teatro e soltavam do palco, do canto do mundo, a leveza das suas massas como se fossem feixes de uma luz que não cabia dentro da orquestra.
Miguel Alves
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