E o Sol apareceu
todas as pessoas ficaram bonitas
o café trouxe o toque da tua pele
e tenho a certeza
que uma parte de ti me pertence
porque respiro.
sexta-feira, setembro 24, 2010
quarta-feira, setembro 22, 2010
MenteQueSentes - Cinzento
Nunca gostei do cinzento!
Ainda que seja a cor onde agora te encontro
onde viajamos num pincel
que mistura o encontro e a saudade
e no regresso
nos deixa sempre nessa tonalidade por afirmar.
Nunca gostei do cinzento!
E porque agora
desespero por aprender a gostar
preciso que me ajudes a relembrar
como se põe uma mão
fora do comboio negro
e se toca na brancura das nuvens.
Ainda que seja a cor onde agora te encontro
onde viajamos num pincel
que mistura o encontro e a saudade
e no regresso
nos deixa sempre nessa tonalidade por afirmar.
Nunca gostei do cinzento!
E porque agora
desespero por aprender a gostar
preciso que me ajudes a relembrar
como se põe uma mão
fora do comboio negro
e se toca na brancura das nuvens.
segunda-feira, agosto 09, 2010
MenteQueVives - A casa da rua
Saíram de casa e assumiram estar na rua.
Ignoraram ter morada. E mais do que isso esqueceram o caminho para casa.
Pularam nas primeiras poças, com o entusiasmo de quem não sabe para que servem as coisas, que nos fazem sentir bem. Escolheram frutas de árvores há muito esquecidas, que por isso conservavam o gozo natural de pecar. Lembraram jogos, dos tempos em que as apostas eram trocadas no intervalo da tabuada.
Quiseram viver para sempre. E fizeram-no. Ali na rua.
Debaixo dos astros e da roupa lavada.
Por cima dos passos e das sombras escondidas.
sexta-feira, julho 30, 2010
MenteQueSentes - Abraçar o mar
Seguia a estrada como um cavalo nocturno.
A galope nas perguntas. A trote nos impulsos.
Abrandou com o brilho da lua no mar, e dançou.
Pisou a areia, e amou.
Tocou o mar, e abraçou-o.
Conversou com a lua.
Durou uma hora
das que no final o fazem chorar.
Ela sorriu.
Acalmou-o.
-Sossega. Amanhã virá o Sol e com o ele a minha presença. O meu calor.
A galope nas perguntas. A trote nos impulsos.
Abrandou com o brilho da lua no mar, e dançou.
Pisou a areia, e amou.
Tocou o mar, e abraçou-o.
Conversou com a lua.
Durou uma hora
das que no final o fazem chorar.
Ela sorriu.
Acalmou-o.
-Sossega. Amanhã virá o Sol e com o ele a minha presença. O meu calor.
MenteQueSentes - Força que nunca seca
Há um pássaro feliz que canta.
Há uma flor, linda, que não desmaia.
E procuro mais.
Nesta aguarela sem tema
há mais pedaços de história
para comprovar
a força
do beijo que se evita
e que nunca seca.
Há uma flor, linda, que não desmaia.
E procuro mais.
Nesta aguarela sem tema
há mais pedaços de história
para comprovar
a força
do beijo que se evita
e que nunca seca.
quinta-feira, julho 29, 2010
MenteQueVives - Viagem de helicóptero ao mundo da fada e do poeta
Não eram só dois corpos na multidão. Eram também, tudo aquilo que se pode beber quando um olhar nos aquece ou uma palavra nos despe. E eram tudo isso a dobrar. Porque esticavam os umbigos, para dentro da circunferência que inventaram. Naquele momento que os vi, andavam livres. A correr e a rir. Pareceu-me até vê-los dançar ao ritmo de uma lua cheia.
Quando me viram, sorriram e mostraram-me os limites daquele mundo de fada e poeta. A fada distraiu-se com a voz de um miúdo e o poeta piscou-me o olho. Levantou parte da circunferência explicando-me que ambos estavam a preparar uma fuga. Sem dia nem hora marcada. Mas que não queriam deixar de planear.
Quando me viram, sorriram e mostraram-me os limites daquele mundo de fada e poeta. A fada distraiu-se com a voz de um miúdo e o poeta piscou-me o olho. Levantou parte da circunferência explicando-me que ambos estavam a preparar uma fuga. Sem dia nem hora marcada. Mas que não queriam deixar de planear.
terça-feira, julho 27, 2010
MenteQueSentes - Resposta ao conforto das tuas asas
Confesso
esta noite não vi a lua!
Tentei!
Tentei e tentei!
Mas o teu sorriso era maior.
Inquieto
partilhei o meu.
Amanhã saberemos o que conversaram
nem que tenhamos de pular de nuvem em nuvem
a nossa palavra
tem de estar no Universo.
esta noite não vi a lua!
Tentei!
Tentei e tentei!
Mas o teu sorriso era maior.
Inquieto
partilhei o meu.
Amanhã saberemos o que conversaram
nem que tenhamos de pular de nuvem em nuvem
a nossa palavra
tem de estar no Universo.
terça-feira, maio 18, 2010
MenteQueSentes - Regresso a casa
O formato das nuvens era tantas vezes diferente
que preferia olhá-las, em vez de voltar a pisar o mesmo chão.
que preferia olhá-las, em vez de voltar a pisar o mesmo chão.
sábado, abril 24, 2010
MenteQueSentes - Aprender a comer
Temos os risos de cinema
no momento certo, os prolongados
e o corredor
onde distinguimos vidas
pelo tamanho da roupa.
Só no momento em que acertármos
na quantidade da nossa comida
poderemos receber visitas
por o nosso filme na sala
e ouvir risos
sem nos lembrarmos da roupa.
segunda-feira, abril 12, 2010
MenteQueVives - Terra natal
Enquanto fazia deslizar a pedra branca de forma a comer uma pedra preta, na jogada seguinte.
Enquanto marcava um sorriso no rosto, sem esforço.
Enquanto olhava o neto como quem sopra uma semente da palma da mão.
Sabia que tinha chegado à terra natal que descobriu esquina a esquina, cheiro a cheiro, reflexo a reflexo.
Chegara à terra natal de onde nunca quis verdadeiramente sair. Que quando o fez pediu perdão, como quem traiu a única pessoa capaz de prender o príncipio de tudo, com tudo aquilo que quisermos descobrir.
sábado, abril 03, 2010
MenteQueVives - Atracção dos corpos
Deu quatro passos apressados desde a porta de casa até ao limite do passeio. Fê-lo com a mão sobre a testa, como uma pala. Percebia-se a aflição em não deixar o passado tapar-lhe a visão.
Olhou a curva da estrada tantas vezes que parecia fazê-lo de forma contínua. Queria tanto ver o seu alguém aparecer que eram as horas que tinham de passar-lhe em frente ao rosto, e não este ir em busca dessa marca. Assim ficou, à espera.
Para mim a curva fez-se recta. As suas horas em mim ficaram feitas em segundos. Por cada um que passava era mais um reforço na traição que o meu carro, bocado inerte de mim, dava naquele desejo de ser a lei da física que punha por escrito a atracção dos corpos.
segunda-feira, março 22, 2010
MenteQueVives - Meu lugar
Nem sempre me sento no meu lugar. E sinceramente já perdi a conta das vezes que não o fiz. Mas as vezes que o cedi, essas lembro-me de todas. Foram três.
A primeira foi a uma senhora. Para agradecer leu-me a sina na palma da mão. Disse duas ou três coisas óbvias e outras tantas rebuscadas que nunca vou saber se foram certeiras. Esqueci-me. Esqueço sempre do que me querem impor.
A segunda vez foi a um cego. Agradeceu e pediu-me que descrevesse como estava o dia la fora. Perguntei-lhe se alguma vez tinha tido visão. Respondeu que sim. Disse-lhe, então, que estava igualmente bonito ao último dia que recorda e que nunca mais tinha havido melhor.
A terceira e última, foi a um senhor de bengala que abandonou o lugar antes da minha estação. Ao sair agradeceu e disse-me para nunca deixar de chamar "Meu lugar" ao lugar que escolho e que nunca devia cedê-lo, a quem nem sequer tenta encontrar o seu.
quarta-feira, fevereiro 24, 2010
MenteQueSentes - O brilho que deixas
O teu olhar deixa em mim a certeza
de que há brilho
capaz de transformar
os dias em viagens
e as noites em fortunas.
de que há brilho
capaz de transformar
os dias em viagens
e as noites em fortunas.
domingo, fevereiro 14, 2010
MenteQueSentes - Namorada
Nunca procurei no dicionário o significado da palavra namorada. Quando precisei de saber já tu estavas a meu lado. A tua essência é a única definição que sei. E duvido que haja outra melhor.
sexta-feira, janeiro 29, 2010
MenteQueVives - Medalha dourada
Caminhava sem saber que também procurava algo com os pontapés que dava no ar. Pequenos pontapés.
Talvez pelo som, talvez pelo brilho, talvez por um arrepio, notou naquele momento, que havia uma medalha dourada a querer entrar na sua vida. Guardou a medalha e um sorriso, não sabendo ainda que um dia não iam caber os dois dentro dela.
Passou o tempo. O suficiente para perceber que havia um leão marcado na medalha, que já estava marcado na sua pele. O relevo daquele momento, vivido anos antes, era já muito grande e não podia esperar mais. Não podia guardar mais aquele sorriso, ansioso por de uma vez por todas dar-lhe a mão e mostrar-lhe que era o signo da vida que aqueles pequenos pontapés tinham encontrado.
(Para a Bela e Hugo)
sábado, janeiro 23, 2010
MenteQueSentes - Gostar por defeito
Fosse como fosse
chegaria entre as suas pratas e pétalas
chegaria livre de um fim
poderia ser cúmplice e ser único
e mesmo assim
chegaria antes da hora
marcada pelos pulsos dos relógios.
Fosse como fosse
chegaria entre as suas pratas e pétalas
chegaria livre de um fim
poderia ser atacado de gaiolas ou janelas
e mesmo assim
não se esqueceria
que antes de chegar
por defeito iria gostar.
chegaria entre as suas pratas e pétalas
chegaria livre de um fim
poderia ser cúmplice e ser único
e mesmo assim
chegaria antes da hora
marcada pelos pulsos dos relógios.
Fosse como fosse
chegaria entre as suas pratas e pétalas
chegaria livre de um fim
poderia ser atacado de gaiolas ou janelas
e mesmo assim
não se esqueceria
que antes de chegar
por defeito iria gostar.
segunda-feira, janeiro 11, 2010
MenteQueSentes - Frutos
Preferia
que os teus lábios prendessem
como beijam as tuas mãos
assim haveriam frutos
que percorriam
o vazio do meu corpo
só para os molhar
em vez de os apanhares
já secos do chão.
que os teus lábios prendessem
como beijam as tuas mãos
assim haveriam frutos
que percorriam
o vazio do meu corpo
só para os molhar
em vez de os apanhares
já secos do chão.
quarta-feira, dezembro 30, 2009
MenteQueSentes - Universo sem explicação
Não sei o que me dizer
quando sei que sou só
eu e o meu universo.
Não sei o que dizer
a quem sabe que o habita
tal como um satélite
mas que não partilha
com outros dois
a triangulção
dos meus caminhos.
Não sei.
Não sei.
quando sei que sou só
eu e o meu universo.
Não sei o que dizer
a quem sabe que o habita
tal como um satélite
mas que não partilha
com outros dois
a triangulção
dos meus caminhos.
Não sei.
Não sei.
quinta-feira, dezembro 10, 2009
MenteQueSentes - O nosso mundo também é redondo
Deu para perceber que era habitual ir aquele café.
Percebia-se isso pela maneira que não olhava as coisas.
Sentada no assento redondo da cadeira,
braços apoiados no tampo redondo da mesa,
lábios ansiando tocar a face redonda da chávena.
Redondo era também o sorriso.
Redondo era também o olhar.
Redondo era também o cheiro.
E redondo era o seu passado
que rebolava com ela sempre que abria aquela porta.
terça-feira, dezembro 01, 2009
MenteQueVives - Atrás dos faróis
A mochila e o saco a tiracolo pareciam pesar mais dos que os pensamentos. Cada passo dado, um pouco mais de conforto. Dia de semana, a escola toda metida na mochila e no saco, e o quarto à espera de o ver tirar a roupa e vestir os brinquedos. Que estariam em pausa desde o último mundo que criou.
Parou para atravessar a estrada, inundada de faróis de carros e frio. Um carro parou, outro parou ao lado e ele atravessou. Fê-lo como se já estivesse a contar para os trabalhos de casa.
Quando o deixei de ver lembrei-me do meu caminho para casa depois da escola. Só não me lembro do que levava na mochila e no saco, mas em muitas dessas viagens lembro-me de querer estar parado, atrás dos faróis.
Subscrever:
Comentários (Atom)