domingo, novembro 13, 2011
MenteQueSentes - Vidas por comprar
há sempre alguém que me faz falta.
Não que queira levá-las comigo
mas ganhei o hábito de pensar
nas vidas que não vou comprar.
sexta-feira, novembro 04, 2011
MenteQueSentes - Borboletas
são os teus sorrisos de criança
a lembrar o resto do corpo
que há amor, que há esperança
e se uma delas te fugir
não a chames, não a censures
foi o impulso de quem te quer sentir
quem a ensinou a sonhar
mas só a sonhar
só a sonhar
ainda que tudo seja verdadeiro.
quinta-feira, novembro 03, 2011
MenteQueSentes - Aquelas coisas
que vão ficar só para mim.
Sei que vão mastigar-me,
engolir-me, engordar-me.
Mas vão ser aquelas coisas
que garantem
um lugar para chegar.
quinta-feira, outubro 27, 2011
MenteQueSentes - Lista de Supermercado
cereais com sabor a mar, para o teu acordar de destino livre e grandioso
doce de frutas enamoradas, para ajudar a manter o sorriso que nos une
pão de forma sem forma, vamos continuar a deixar todos os contornos de lado
sumo 100% magicados, para acompanhar as nossas conversas de balão
gel de banho com o cheiro de amanhã, assim prolongamos o aroma que deixamos à despedida
vinho de castas virgens, porque cada brinde nosso é único
manta de tecido vistoso, para não se perder nos teus ombros
incenso consumido, nós saberemos como ateá-lo.
quinta-feira, setembro 29, 2011
MenteQueSentes - Silêncio
E descobri também, que só o devo partilhar, com quem conhece as cores dos meus ideais, da minha nação.
domingo, agosto 21, 2011
quarta-feira, julho 20, 2011
MenteQueSentes - Fado no centro comercial
E aquele som
que solta a definição
dos olhares
não podia estar noutro sítio melhor
para nos ajudar a distinguir
quem sente os momentos
de quem os contabiliza.
sexta-feira, julho 08, 2011
MenteQueSentes - Ida e volta
sei que a língua que falo
se fala por aí
que o tempo que levo
me vai trazer de volta
e na procura que encontrei
tudo começa em mim.
sábado, maio 14, 2011
MenteQueSentes - Piscina, Lda
terça-feira, abril 05, 2011
MenteQueVives - Música no Aeroporto
domingo, fevereiro 13, 2011
MenteQueSentes - No Guns can kill
(only)
quarta-feira, novembro 10, 2010
MenteQueVives - O miúdo do comboio
sexta-feira, novembro 05, 2010
MenteQueVives - Cinema vagabundo
quarta-feira, outubro 27, 2010
MenteQueVives - Na pose do dia
Fazia aquela pose, que julgo muitas vezes, fazer parar o tempo para que possa ser admirado.
O Sol destacava-se do cenário e fazia com que o rio empurrasse a luz dela contra ele.
A água fluía. E os olhares deles também. Pássaros voavam. E os pensamentos deles também.
Haviam passos a fazer-se ouvir. E os gestos deles escutavam.
À parte dos copos vazios, naquela mesa tudo transbordava alguma coisa.
E tudo havia por dentro. E tudo se criava por fora.
terça-feira, outubro 05, 2010
MenteQueSentes - Quando volto
quando falo contigo
e nao te vejo
quando reajo tarde
ao que me dizes
quando perco tudo
para pensar em cores
quando solto alguém
que não sobrevive
ao tom de voz
em falta
quando só tentas aparecer.
sexta-feira, setembro 24, 2010
MenteQueSentes - Respiro
todas as pessoas ficaram bonitas
o café trouxe o toque da tua pele
e tenho a certeza
que uma parte de ti me pertence
porque respiro.
quarta-feira, setembro 22, 2010
MenteQueSentes - Cinzento
Ainda que seja a cor onde agora te encontro
onde viajamos num pincel
que mistura o encontro e a saudade
e no regresso
nos deixa sempre nessa tonalidade por afirmar.
Nunca gostei do cinzento!
E porque agora
desespero por aprender a gostar
preciso que me ajudes a relembrar
como se põe uma mão
fora do comboio negro
e se toca na brancura das nuvens.
segunda-feira, agosto 09, 2010
MenteQueVives - A casa da rua
sexta-feira, julho 30, 2010
MenteQueSentes - Abraçar o mar
A galope nas perguntas. A trote nos impulsos.
Abrandou com o brilho da lua no mar, e dançou.
Pisou a areia, e amou.
Tocou o mar, e abraçou-o.
Conversou com a lua.
Durou uma hora
das que no final o fazem chorar.
Ela sorriu.
Acalmou-o.
-Sossega. Amanhã virá o Sol e com o ele a minha presença. O meu calor.
MenteQueSentes - Força que nunca seca
Há uma flor, linda, que não desmaia.
E procuro mais.
Nesta aguarela sem tema
há mais pedaços de história
para comprovar
a força
do beijo que se evita
e que nunca seca.
quinta-feira, julho 29, 2010
MenteQueVives - Viagem de helicóptero ao mundo da fada e do poeta
Quando me viram, sorriram e mostraram-me os limites daquele mundo de fada e poeta. A fada distraiu-se com a voz de um miúdo e o poeta piscou-me o olho. Levantou parte da circunferência explicando-me que ambos estavam a preparar uma fuga. Sem dia nem hora marcada. Mas que não queriam deixar de planear.
terça-feira, julho 27, 2010
MenteQueSentes - Resposta ao conforto das tuas asas
esta noite não vi a lua!
Tentei!
Tentei e tentei!
Mas o teu sorriso era maior.
Inquieto
partilhei o meu.
Amanhã saberemos o que conversaram
nem que tenhamos de pular de nuvem em nuvem
a nossa palavra
tem de estar no Universo.
terça-feira, maio 18, 2010
MenteQueSentes - Regresso a casa
que preferia olhá-las, em vez de voltar a pisar o mesmo chão.
sábado, abril 24, 2010
MenteQueSentes - Aprender a comer
segunda-feira, abril 12, 2010
MenteQueVives - Terra natal
sábado, abril 03, 2010
MenteQueVives - Atracção dos corpos
segunda-feira, março 22, 2010
MenteQueVives - Meu lugar
quarta-feira, fevereiro 24, 2010
MenteQueSentes - O brilho que deixas
de que há brilho
capaz de transformar
os dias em viagens
e as noites em fortunas.
domingo, fevereiro 14, 2010
MenteQueSentes - Namorada
sexta-feira, janeiro 29, 2010
MenteQueVives - Medalha dourada
sábado, janeiro 23, 2010
MenteQueSentes - Gostar por defeito
chegaria entre as suas pratas e pétalas
chegaria livre de um fim
poderia ser cúmplice e ser único
e mesmo assim
chegaria antes da hora
marcada pelos pulsos dos relógios.
Fosse como fosse
chegaria entre as suas pratas e pétalas
chegaria livre de um fim
poderia ser atacado de gaiolas ou janelas
e mesmo assim
não se esqueceria
que antes de chegar
por defeito iria gostar.
segunda-feira, janeiro 11, 2010
MenteQueSentes - Frutos
que os teus lábios prendessem
como beijam as tuas mãos
assim haveriam frutos
que percorriam
o vazio do meu corpo
só para os molhar
em vez de os apanhares
já secos do chão.
quarta-feira, dezembro 30, 2009
MenteQueSentes - Universo sem explicação
quando sei que sou só
eu e o meu universo.
Não sei o que dizer
a quem sabe que o habita
tal como um satélite
mas que não partilha
com outros dois
a triangulção
dos meus caminhos.
Não sei.
Não sei.
quinta-feira, dezembro 10, 2009
MenteQueSentes - O nosso mundo também é redondo
terça-feira, dezembro 01, 2009
MenteQueVives - Atrás dos faróis
quarta-feira, novembro 18, 2009
MenteQueVives - Porta de embarque
terça-feira, novembro 03, 2009
MenteQueVives - Rua com saída
Alinhou o olhar com o horizonte. O mesmo que a perseguia desde a adolescência, umas vezes espremido pelo bafo do céu, outras mimado pelo brilho do mar. Era por ele que abria a janela.
Eu cá em baixo, continuava a ver uma rua impaciente. Ora parada, ora a saltar. Ora esforçada, ora vidrada.
E ela coninuava serena, a levar para casa uma janela e para a rua, uma saída.
quinta-feira, outubro 15, 2009
MenteQueVives - Viagem solitária (a dois)
momentos antes de romper a monotonia, com uma viagem ao centro do umbigo dela.
sexta-feira, outubro 09, 2009
MenteQueSentes - Estado leve
o que não canto.
E enquanto o faço
é de ti
que saiem as coisas
que no príncipio
não são tudo
nem são nada.
Que pousadas em mim
nesse estado leve
partem para o mundo
levando-me atrás
em bicos dos pés.
quarta-feira, setembro 30, 2009
MenteQueVives - O homem que ninguém vê
- Homem de meia idade. Cabelo ondulado grisalho. Óculos rectangulares com as lentes baças. Camisa ás riscas verticais, com a barriga a expulsá-la das calças e as costas a fazer o inverso. Sapatos limpos, mas o direito com o atilho solto. Simpático mas por não por mostrar um sorriso. Solteiro.
- Compra calças de ganga nos hipermercados. Sem dar nas vistas, foge de vendedores de cartões de crédito. Quando compra o jornal começa a lê-lo já depois de o ter deixado bem amachucado. Nas lojas não escolhe nada, porque bastou-lhe fazê-lo uma vez. Antes de sair de casa faz uma festa ao gato e depois de bater a porta, ajeita o tapete com o pé direito.
quarta-feira, setembro 16, 2009
MenteQueSentes - Luta
Tentado escrever palavras que me soltem
palavras que me levem até outro momento, que não seja só meu.
Tento e algo resiste.
Algo que por não ser menos belo decidi colocar aqui
em forma de quase nada.
Uma vez li que quando falta de inspiração também se deve escrever.
Por isso descrevo-a pela primeira vez assim.
Quem ainda não a leu neste texto
não espere lê-la, porque tal como a inspiração
tantas vezes dissimulada numa só palavra
a falta dela já se encontra marcada, algures atrás.
domingo, agosto 02, 2009
MenteQueSentes - Terraço dos sonhos
talvez percebesses
porque tanto atiro a pedra mais longe do que tu
como a deixo cair, tal como a tua, bem perto da margem.
Talvez percebesses
porque tanto te levanto e deixo tocares o tecto da sala
como te mostro o quão longe ele fica de ti.
Talvez percebesses agora
mas não quero.
Prefiro contar-te tudo
quando a minha pedra permanecer seca
e o tecto da sala
for o terraço dos teus sonhos.
segunda-feira, junho 15, 2009
domingo, maio 17, 2009
MenteQueSentes - O início no fim da rua
quinta-feira, março 19, 2009
MenteQueSente - Laços
Uma roupa à nascença
um colo que se preocupa
e que se senta
no chão
outrora um colo
outrora vestido à nascença.
segunda-feira, fevereiro 23, 2009
MenteQueSentes - B.I. Bio
que não sai da minha mão.
Ficou nas rugas
e por mais água que passe
não sai.
Por mais dor que sinta
ao rasparem
ela não sai.
Não sai
e enquanto for assim
não me preocupo
com quem sou.
sábado, fevereiro 14, 2009
MenteQueVives - Ritual do trapézio
também aqui
quarta-feira, janeiro 21, 2009
MenteQueVives - Paredes infinitas
segunda-feira, dezembro 22, 2008
MenteQueVives - Não é Natal enquanto espera
O frio a acender a lareira, a lareira a apagar outras famílias e o Natal à espera!
As luzes na árvore a piscar, não mais que a televisão e o Natal à espera!
O papel de embrulho a esconder o verdadeiro motivo da prenda e o Natal à espera!
É só mandar mais um e-mail... prometo!
quinta-feira, dezembro 11, 2008
terça-feira, novembro 11, 2008
MenteQueVives - O caminho da voz
quinta-feira, novembro 06, 2008
terça-feira, outubro 28, 2008
MenteQueVives - Encantado na contagem
Não demorou muito a passar um com uma boina nova e de blazer da cor da temperatura. Mancava da perna direita e pelos poucos gestos parecia sereno após anos de dedicação. Talvez em excesso.
Demorou a aparecer outro. Uma senhora. Cabelo estranhamente roxo ou estranhamente branco. Mexia na bolsa. Depois de passar percebi que retirava uma prenda. Pelo embrulho era para uma criança. Uma menina. De certeza que era para uma neta, senão tinha esperado até chegar ao destino para retirar a prenda da bolsa.
De imediato cruzaram-se com esta senhora, dois velhos. Lado a lado mas com destinos diferentes. O do lado da estrada mantinha os olhos fixos em qualquer coisa que naquele momento, nada mais era que não um falso objectivo. O outro olhava o chão, quando de repente levantou o olhar na minha direcção. Nada fiz. Mas pareceu que lhe havia tocado na face e rodado o rosto na direcção do outro velho. Percebi que pensava em alguma decisão em tempos mal tomada. Mal acabam de passar estes, vi que outro havia passado do lado de lá da estrada. Vestia um fato de treino e levava um saco do supermercado. Era dia de jogo. Final da taça. O passo apressado e o volume do saco não enganavam. Iria receber o filho para jantar e os dois iam comandar o jogo do sofá. Talvez o filho já o fosse acompanhar no pessimismo, sem que por isso o número de pulsações fosse menor do que em outros tempos.
Ainda tentava perceber se era o filho que se aproximava do velho quando ouvi chamarem-me para jantar. Percebi que não sabia contar... pessoas.
domingo, outubro 12, 2008
MenteQueVives - Branco sensível
Um escadote, um rolo, um balde de tinta, um carro de supermercado e um par de óculos. Pessoas corriam de um lado para o outro, com malas a estender as suas personalidades. Não viam o artista. Viam uma coluna branca. Já de si branca.
Ele pintava, tocava com o rolo da tinta, pensava na hora de jantar e pintava.
Houve um homem na mesa do café que finalmente reparou no artista. Perguntou-lhe porque pintava de branco uma coluna já de si branca. O artista respondeu que estava a aplicar uma segunda demão e pensou na hora do jantar.
O homem do café já em sua casa, sozinho, foi rever a foto de fim de curso.
quinta-feira, outubro 02, 2008
domingo, setembro 21, 2008
MenteQueVives - A tabuleta
As letras que lhe calharam concordavam e pareciam querer dizer mais alguma coisa. Não cheguei a concluir.
Entrei. Saí.
Retive-me um pouco do outro lado da estrada, a ver a tabuleta tentar cirandar.
Segurei a carta com a outra mão que não aquela que a apertava quando entrei. Não enviei a carta.
A tabuleta tocou uma melodia com o riso das correntes. Pareceu-me.
Não enviei a carta e suavemente fui desligando a tabuleta. Pensando onde poderia ir eu, agora sim, cirandar.
quinta-feira, setembro 11, 2008
MenteQueVives - O caminho dos golfinhos
Gente, muita gente. E o brilho e a cor da água foram subitamente misturados. Desapareceu a expectaviva. E daquela gente, muita gente, sairam sonhos e viagens.
Os golfinhos não eram muitos, mas tocaram em cada coração daquela gente, muita gente. Sem ninguém esperar vez para que isso acontecesse.
Excepto duas meninas, que não esperaram sequer que fossem os golfinhos a tocar-lhes no coração. Sopraram os seus corações para eles. E a partir daquele momento, já não havia gente, muita gente. Sairam todos. Ficaram apenas as duas meninas, que recolhiam no colo, a água límpida que saltava do caminho dos golfinhos.
Vi uma das meninas misturar lágrimas dos seus dias felizes com aquela água. A outra guardava-a. Para soltá-la quando também soubesse o que é sorrir, com um coração cheio de dias felizes.
domingo, agosto 17, 2008
MenteQueVives - O carrinho que escolhemos
terça-feira, agosto 05, 2008
MenteQueVives - Desejo tatuado
Para não ser reconhecida como adulta bastava-lhe tocar o céu, sempre que uma voz a chamava de uma velha janela destorcida.
Esperava que uma estrela cadente sorrisse ao som dessa voz, para poder tatuar o desejo na manhã seguinte.
Também aqui
terça-feira, julho 08, 2008
MenteQueSentes - Primeiro brilho
Recebeu o brilho que lhe faltava
e não quer voltar a subir.
Não quer perder o céu que encontrou
numa história em que o Sol
anda de mão em mão.
segunda-feira, junho 30, 2008
MenteQueVives - Casa torta
terça-feira, junho 24, 2008
MenteQueSentes - ...o livro que eu não li
não tem nome
mas tem cheiro
e na página seguinte
tem sempre um rosto
que no fim
recolhe a história
e olha para mim.
segunda-feira, junho 16, 2008
MenteQueSentes - O nosso jogo
mas com vocês
que a bola não sorri
quando a chuto
entre um molho de pernas
que no final
não me vão ajudar
a levantar a taça
que ganhávamos
antes de cada jogo.
domingo, junho 15, 2008
sábado, maio 17, 2008
MenteQueSentes - Idade dos muros
domingo, maio 11, 2008
MenteQueVives - Vício interior
E pela maneira com que olhava as pessoas dava a entender que queria sair tarde. Conversou, riu-se e sentou-se perto de alguém, e de outro alguém e de outro alguém e de outros. Durante as palavras triunfantes, tocava no ouvinte. Como uma pedra no charco, questionava se a bebida era do agrado do falante.
Tudo se tornou para mim claro, quando nos cruzámos na casa de banho. Vi-o ignorar o espelho e olhar o seu rosto. Olhava fixamente os seus próprios olhos. Que droga tomaria para ser tão viciado no que interessa aos outros, sem que os outros percebessem o interesse que tinha, naquilo que só interessava a ele?
Também aqui
sexta-feira, abril 25, 2008
MenteQueVives - Lembrança que não fica na parede
Ela escusava de se mexer para encontrar o ritmo da dança que todos guardavam, mas ninguém ouvia. Em cada fim da mesa, haviam vidas que valiam a pena contar antes de serem engolidas, tal como a mousse de chocolate, enfeitada para o momento.
Houve movimentos normais de uma refeição, mas houve outros que me levaram a uma varanda perto do mar, longe de mim.
Ela sorriu para o empregado que atordoado já não servia, limitava-se a ser parte do sorriso. No momento em que a primeira cadeira começou a arrefecer sem retorno, outras seguiram o processo. Ela não saiu e hoje a lembrança também escorre nos meus dias.
Miguel Alves
sexta-feira, abril 18, 2008
sexta-feira, abril 04, 2008
MenteQueSentes - Flôr da confiança
porque sabe que de tarde
vai brilhar com o Sol
sem perder
a protecção da Montanha.
Miguel Alves
sábado, março 08, 2008
MenteQueSentes - A fé dos homens
e alimenta a sua esperança
com aquilo que não projectou.
Outro constrói um barco
e navega nas àguas
que não encontra perto de casa.
Miguel Alves
quinta-feira, março 06, 2008
MenteQueSentes - Aniversário de um anjo
Miguel Alves
terça-feira, março 04, 2008
MenteQueVives - Terreno sem emprego
sábado, fevereiro 16, 2008
MenteQueVives - À solta
Num outro momento tudo será lembrado, ainda que a repetição só seja possivel no sangue que cada um gravou.
Miguel Alves
quinta-feira, fevereiro 07, 2008
MenteQueSentes - Nuvem
Quanto mais alto voava, mais queria ser a almofada do teu acordar.
Rita & Miguel
terça-feira, janeiro 22, 2008
MenteQueSentes - Crescente
Enquanto te vestes por dois
Manda cartas para três
Fá-las passar por quatro
Surpreende cinco vezes
Imagina seis reacções
Conta sete ondas
Fotografa oito marés
Olha para o relógio às nove
Abraça-te como se não existissem as dez.
Miguel Alves
sexta-feira, janeiro 11, 2008
MenteQueSentes - Partilha
a certeza com que trabalho as palavras
e preparo a tua reacção
e o branco
que dividimos ao meio
uma metade para as tuas serpentinas
a outra para os meus espelhos.
Miguel Alves
sexta-feira, janeiro 04, 2008
MenteQueVives - Jardim caído
O jardim estava caído dentro da cidade. Nunca tinha saído daquele sítio, nunca tinha muito menos subido para espreitar o topo dos prédios, nunca tinha sido um qualquer gesto. Mas estava agora caído, e tudo nele estava caído também. As flores que em invernos como este não eram flores mas pelo menos sussurravam ao vento a vontade de o serem, os caminhos que tinham vários fins e que agora restavam-lhes o mesmo ínicio, os candeeiros que diminuiam a electricidade com o glamour das suas formas e que agora tinham nela o único motivo para lá estarem, o portão que tantas vezes viu prevenida a ferrugem já não sabia passar sem esta, sem a cumplicidade de quem chega sem anunciar, deixando-nos depois a vontade de não pensar num anúncio de despedida.
Hoje vi assim o meu jardim. Caído. Amanhã talvez esteja levantado, ou até hoje mesmo, mas por outros olhos.
Miguel Alves
quinta-feira, dezembro 20, 2007
MenteQueVives - Língua de fora
Miguel Alves
domingo, dezembro 16, 2007
MenteQueVives - Silhueta
Não reconheci as noites em branco que me abraçavam de dia, os dedos subornados que me aqueciam sempre no mesmo lugar de Inverno ou até mesmo os meus dias inteiros a sublinhar o seu destino.
Nas páginas e páginas que saltitavam naquela secretária havia um homem sentado, corcovado, calvo, cuja silhueta de tanto gritar por mim, acabou no meu peito aconchegada pela origem do meu fôlego.
Miguel Alves
quarta-feira, dezembro 05, 2007
MenteQueVives - A casa dele
No dia que deixei de o conhecer pela boca larga de um jornalista, emagreci o desconhecimento que julgava ter dele e junto à portada, ainda junto à portada, sorrimos. Talvez pela diferença de idades comum mas diferente, talvez pela guitarra portuguesa a lembrar anos verdes, talvez pela cumplicidade da sombra de uma oliveira, naquele momento tanto dele como minha. Com o cheiro a café misturado no açucar da sua conversa, num alpendre interior à sua alma, exterior à casa, conheci uma multidão.
segunda-feira, dezembro 03, 2007
terça-feira, novembro 27, 2007
MenteQueSentes - Parábolas
que quem não vê não ignora
tantas são as formas
que o mundo tem.
Miguel Alves
segunda-feira, novembro 26, 2007
MenteQueSentes - Procuro livro
Miguel Alves
Palavras também aqui
terça-feira, novembro 20, 2007
MenteQueVives - Partilha da liberdade
O cabelo fechava cada passo como a batida lógica de um coração. Sonhou não ser livre naquele momento. Olhou o chão pintado pelos seus próprios pés e imaginou ter as mãos ocupadas com as outras mãos que um dia encontrou dentro de si.
A luz do dia era cada vez menor mas o espaço ocupado pelo mapa era ainda mais rápido a desaparecer.
Mal perdeu a liberdade deu um tiro no pé e tratou de agravar a pena com alguns excessos que trazia no bolso. Não foi o suficiente nem para compensar o tempo que esteve livre nem para merecer a prisão daqueles braços. Mas na verdade, no momento em que naquele mesmo dia gastou o mapa, já a liberdade estava a ser oferecida a quem ainda achava estar apenas a partilhá-la.
Miguel Alves
sexta-feira, novembro 02, 2007
MenteQueVives - Canto do mundo
Para garantir a união havia corpos que bailavam como searas debaixo do luar, corpos que mantinham o peso morto da consciência longe daquele teatro e soltavam do palco, do canto do mundo, a leveza das suas massas como se fossem feixes de uma luz que não cabia dentro da orquestra.
Miguel Alves
Estas palavras também podem ser lidas aqui
domingo, outubro 21, 2007
quarta-feira, outubro 17, 2007
sexta-feira, setembro 28, 2007
MenteQueSentes - Casa de férias
ficou a carpete
inutilmente memorizada
ficou a amostra
da primeira cartada.
E ficou a moldura da nossa cómoda
mais pesada
levando-nos agora a pensar
na estrada
que tantas vezes reclamou
para também ela ser fotografada.
Miguel Alves
segunda-feira, setembro 24, 2007
MenteQueVives - Cratera na lua
Miguel Alves
segunda-feira, setembro 03, 2007
quarta-feira, agosto 22, 2007
segunda-feira, agosto 13, 2007
MenteQueSentes - Os teus olhos
que quando choram fazem parar a queda do sol sobre o mar
que quando sorriem acompanham a lua na volta de uma vida
que quando olham fazem o cheiro das flores ter imaginação
duplicando o seu desejo de chegar a alguém!
Miguel Alves
quinta-feira, agosto 09, 2007
MenteQueSentes - Mudar
encontrar num dia que ainda não vivi
o abraço que se perdeu.
Mudar para não esquecer
sem querer perder o que ouvi
e me fez cantar.
Mudar porque preciso
tenho ainda luz
tenho outra mão
que se segura na minha estrada
e os dias que faltam
têm de ter uma história para contar.
Miguel Alves
segunda-feira, julho 23, 2007
quarta-feira, julho 18, 2007
MenteQueVives - Gira-discos
Miguel Alves
quinta-feira, julho 05, 2007
MenteQueSentes - Lambedela
e disse-lhe:
“Lambe
lambe com teu pêndulo
o dedal dos momentos.
Lambe
lambe e sacode as vestes e as atitudes
lambe e suga o tempo
fá-lo espevitar esta gente.
Lambe e lambe
sente o tlim tlim
de bicicletas em fuga
o tchim tchim
das bebedeiras fáceis
o tchoque tchoque
de saltos rasos por instinto
e altos por necessidade
o zzz zzz de melgas e banda desenhada.
Lambe
lambe e leva a esperança
pelo menos uma vez mais longe
do que as tardes de Domingo”.
Miguel Alves
segunda-feira, julho 02, 2007
domingo, junho 17, 2007
MenteQueVives - Luz
Haverão de passar horas, dias, anos, sem que os dois percebam o valor daquela luz. Luz que embora não a levem pelo futuro, será por ela que voltarão aquela mesma escadaria, para recuperar carga perdida, sem que dessa vez seja preciso sacudir a areia.
Miguel Alves
terça-feira, junho 05, 2007
MenteQueSentes - Depois
a visita de um poeta.
Trazia o segredo
da minha próxima maré.
A mensagem
guardei-a no peito
junto ao coração
que também me prometeu
guardar tudo aquilo
que daqui em diante
não tiver explicação.
Miguel Alves








